A receita é bem simples: falta de informação e ausência de fiscalização, que resultam no prejuízo de várias pessoas, que às vezes podem estar aí, dentro da sua própria casa, ao seu lado no local de trabalho ou sentado no banco da mesma igreja. Acessibilidade é a palavra-chave deste breve texto opinativo, que visa tentar conscientizar a população de nossa cidade de que se deve pensar nas pessoas que têm dificuldade de locomoção e que por vezes, ficam impossibilitadas de transitarem pelos vários logradouros públicos. Quando utilizamos o termo “pessoas com dificuldade de locomoção”, podemos citar não só os portadores de necessidades especiais (que possuem limitação física dos membros inferiores ou deficientes visuais), bem como os idosos, gestantes e mães com crianças pequenas. Basta um rápido correr de olhos por nossas vias que será possível observar as disposições irregulares e o uso indevido do passeio público, popularmente conhecido como calçada, em vários pontos da cidade.
É possível que se note a existência de calçadas danificadas, com desníveis elevadíssimos, outras com pequenas muretas ou com tapumes; ou ainda, terrenos baldios com ausência do passeio público, que dificultam e até impedem que uma pessoa possa ali transitar. Não se pode olvidar que além da inexistência ou inadequação, é comum de se ver a calçada sendo utilizada como vitrine de produtos, espaço publicitário para propagandas de lojas ou recinto particular para disposição de mesas de bares e lanchonetes.
O cadeirante, o usuário de andadores ou suportes ortopédicos em geral, o dependente de muletas ou bengalas para a própria locomoção, as gestantes e as mães com carrinhos de bebê, por vezes serão obrigados a arriscarem sua integridade física transitando na via de rolamento; ao invés de passarem tran-quilamente por uma calçada que permita que se exercite o seu direito de locomoção.
Nossa cidade, “nossa Guaíra”, é um ótimo lugar para se viver. Temos vasta área verde com razoável arborização, água de qualidade e outras benesses que proporcionam uma melhor qualidade de vida, geralmente inexistentes em outros centros. Porém, para que nossa cidade seja melhor e racionalmente aproveitada por todos, independentemente de cor, raça, religião, condição física ou social, devemos começar a pensar na coletividade.
Não será raro que você passe na rua, e veja que a vaga de estacionamento exclusiva para deficientes físicos esteja sendo ocupada pelo veículo de alguém que não possui deficiência alguma; ou que você veja terrenos com mais de vinte anos de loteamento, frutos de especulação imobiliária, sem calçadas ou que essas estejam obstruídas com entulho e sobras de materiais de construção onde haveria de se encontrar um passeio livre.
O próprio nome já diz: calçada é “passeio público”, que serve para que o pedestre - portador ou não de necessidades especiais - possa transitar sem se arriscar a andar na rua (via de tráfego), onde pode ser colhido por um veículo qualquer, ficando sujeito à perda da vida ou à possibilidade de sofrimento de danos irreparáveis.
Rodrigo Soares Borghetti, cidadão guairense